Cuidar do sorriso dos nossos animais
- Dec 12, 2016
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(...) Em relação à alimentação, dê preferência ao granulado e evite as latas, os patês, as mousses ou a comida caseira (...).
À nossa semelhança, os animais de companhia podem sofrer de alterações da boca, tais como tártaro, fraturas nos dentes, gengivite, úlceras ou tumores. A maioria dos seus proprietários (tutores) não está sensibilizada para essas alterações, que muitas vezes só são identificadas em estados avançados de doença, quando surgem sinais muito evidentes.
Na prática clínica noto ser raro o cão ou gato adulto que não apresenta placa dentária, isto é, um agregado que surge da combinação entre saliva, alimento, bactérias e seus subprodutos, extremamente resistente, aderente à superfície dos dentes e oferecendo-lhes geralmente uma coloração amarelada. A evolução desta placa pode conduzir à formação de tártaro (por mineralização daquela), à inflamação e necrose das gengivas, à perda de dentes e até à contaminação grave de órgãos como o coração, o fígado ou os rins. Investindo algum tempo e pouco dinheiro, está nas mãos dos tutores a prevenção da placa dentária e daquelas preocupantes consequências; eis algumas sugestões:
Se tem um cachorro ou um gatinho, deverá começar já a treiná-lo a permitir a manipulação da boca para que, no futuro, os cuidados e a observação da cavidade oral estejam facilitados. Habitue o seu animal a ser contido, a que lhe abram a boca e ao toque das gengivas. Não queira conquistar todos estes passos de uma só vez; seja paciente e nunca se esqueça de recompensar o bom comportamento.
A forma mais eficaz de atrasar a evolução da placa dentária é através da escovagem dos dentes. Um estudo com uma amostra de 120 tutores concluiu que apenas 4% deles escova os dentes aos seus animais e que, dos que não o fazem, 20,9% refere que o animal não o permite, 11,6% não tem tempo para o fazer e 8,5% não considera a escovagem um procedimento necessário. Pode e deve lavar os dentes ao seu cão ou gato! As escovas de dentes de crianças podem ser utilizadas nos animais, apesar de já existirem dedeiras próprias e mais práticas para esse efeito. À ação mecânica da escovagem deve ser aliada a ação enzimática de uma pasta de dentes; invista numa boa pasta ou gel para cães e gatos, porque as de humanos contêm demasiado flúor que não deve ser ingerido e lembre-se que o seu animal não vai bochechar!
Em relação à alimentação, dê preferência ao granulado e evite as latas, os patês, as mousses ou a comida caseira. A ração seca implica mais mastigação e, consequentemente, mais atrito entre os dentes e o alimento, dificultando mecanicamente a agregação da placa dentária. Existem já rações pensadas para esta prevenção; nestes casos foram trabalhadas a forma, o tamanho e a textura do grão, e adicionados polifenóis (ação antibacteriana), ómega-3 (ação anti-inflamatória) e fosfatos (prevenção da mineralização).
Poderá também oferecer os snacks preparados para este fim. Os clássicos ossos de couro podem ser úteis porque enquanto são roídos a placa dentária é agredida. No entanto, podem ser demasiado duros e provocar fraturas nos dentes, lesões na mucosa oral ou no restante trato gastrointestinal. Prefira produtos mais seguros e aposte na qualidade, já que os resultados podem ser surpreendentes; aconselhe-se com o Médico Veterinário.
Por último, se o seu animal está velhote, se apresenta mau hálito, tártaro, relutância à mastigação, salivação excessiva ou dentes móveis, então deverá ser consultado por um Médico Veterinário, porque a saúde e o bem-estar dele podem estar comprometidos.
Duboc M.V (2009). Percepção de proprietários de cães e gatos sobre a higiene oral de seu animal. (Dissertação de Mestrado). Instituto de Veterinária, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Brasil.


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